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Cultura - 09/03/2010 - 07:00
Isolamento cultural é cultura perdida

foto Ilustrativa

A cultura é o conjunto de manifestações sociais, é a identidade de um povo, sua língua, seu sotaque, suas gírias, as músicas, crenças, política, economia, comportamentos e até idéias, ou seja, todo o conjunto de expressões e relacionamentos de determinado povo ou civilização.

Mas o isolamento cultural a que me refiro diz respeito à produção cultural através de manifestações artísticas como grupos musicais, teatrais, literários incentivados pelos poderes constituídos. Assim como a grande maioria das cidades do interior, Barra do Bugres, é muito pobre nesse aspecto cultural, não temos oportunidades de degustar produções artísticas que não estejam limitados a seriados e novelas, é quase impossível escutar outro tipo de musica que não seja a ditada pelas rádios e pela televisão (e que diga-se de passagem paupérrimas), não temos divulgação da cultura Barrabugrense.

Vivemos tempos em que expressão artística é um produto comercializado em larga escala, o conteúdo é regido em detrimento de fins econômicos, com isso a arte perde sua identidade regional, somos então lançados em uma espécie de vazio cultural, onde consumimos apenas o que é mais fácil e lucrativo de se produzir e vender.

Uma novela, por exemplo, ela agrada desde uma garotinha em seu mundinho cor de rosa a barbados cansados depois de um dia de trabalho, agrada jovens universitários a jovens marginalizados. Isso é possível, pois as situações são sempre superficiais: simulacros* que envolvem redes de intrigas, conflitos amorosos, amores proibidos, um núcleo de personagens rico e outro pobre, tem bandidos e mocinhos, para definir bem é puro dualismo.

É uma receita que deu certo e com a qual o público se acostumou. De norte a sul, de leste a oeste de todo território nacional a grande maioria vê absolutamente a mesma coisa durante anos. A estrutura nunca muda, muda-se apenas a pele, a roupagem enquanto o conteúdo não sai do mesmo.

Outros exemplos de massificação cultural são as maiorias das músicas que estão nas paradas de sucesso. Veiculadas pelas grandes rádios seguidas fielmente pelas menores e pelos programas de televisão que ecoam pela noite, pelos bares e festas da região e de todo o país. Antes tínhamos o nosso sertanejo, aquele raiz, onde as violas choravam e as letras estavam carregadas de significado.

Hoje o que mais se ouve por aí são arranjos pobres e letras fúteis, não existe espaço para o diferente, para o regional ou para o novo, pois o gosto popular está condicionado para favorecer os interesses mercadológicos. Não só a minha geração, que nem é tão antiga assim pois sou de 1960, mas muitas gerações de hoje não possuem uma identidade musical, o gosto está retido a sucessos momentâneos e micro estilos corrompidos pela indústria da música.

Para desenvolver a cultura e trazer a luz da arte para nossa vida deve haver em primeiro lugar a vontade e atitude do povo e estas qualidades se intensificam quando o povo é consciente e recebe incentivo, subentenda-se poder publico constituído, secretaria de culrtura, quando existe é bem verdade, ou gerida por quem pelo menos tem conhecimento.

Alguns poucos heróis comentam suas idéias para intervenções culturais e artísticas: Um pretende reunir escritores Barrabugrenses e publicar um livro, outro pensa em organizar um evento com bandas, duplas, ou grupos da região envolvendo diferentes cenários da cidade. Talvez poder-se-ia copiar em parte um projeto criado no Rio de Janeiro chamado "Lona cultural" abarcando teatro mesmo que amador, música, filmes, tudo em uma noite debaixo de uma lona, uma espécie de baile cultural onde a diversão estária atrelada a arte. Contudo vejo isso como secundário: A busca para desenvolver a cultura através da arte parte da atuação de cada um e gera, além de diversão, consciência...

A arte é luz para o senso crítico! E com essa luz o povo tem em mãos o mais poderoso meio para exigir dos governantes tudo aquilo que existe em todos os planos de governo, por exemplo: apoio para arte e cultura. E não falo de mega-shows caríssimos, falo de apoio e espaço para o novo junto com o regional.
Se sairmos as ruas e indagarmos a população qual o nome do secretario municipal de cultura certamente 85% da população não saberá responder, isto por si só mostra o quão este setor é falho, muito embora eu resida em Barra do Bugres a apenas dois anos e meio tive oportunidade de conversar com alguns expoentes da cultura regional local e na sua unanimidade as reclamações são as mesmas, falta política de incentivo para que se possa ou possamos resgatar as rodas de violas, os grupos de cururu, siriri, e tantas outras manifestações culturais inerentes ao município.

As nossas escolas também pecam por não promoverem peças teatrais entre seus alunos, peças que trouxessem a tona assuntos da cultura da cidade, ou mesmo dia a dia de suas casas, existem vários textos que poderiam ser representados (mas é necessário boa vontade) e que pudessem ser apresentadas a população de forma gratuita nos poucos espaços que temos, isto poderia ser o ponta pé inicial para que viéssemos de alguma maneira provocar os poderes a construir espaços melhores, e promover-se-ia lazer e cultura a população, como já cantou o grande Geraldo Vandré :

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Eder Bevilaqua


Fonte: Barra do Bugres News (www.barradobugresnews.com.br)

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